A querela entre o PT e o PSDB (para saber quem roubou mais) se tornou “cantiga de grilo”, pois só serve para confundir o povo e jogar os partidos sérios numa vala comum. No mandato presidencial do PSDB no poder (governo FHC - 1995/2003), o PT fazia oposição ferrenha. Esse governo foi marcado por corrupção e a reeleição foi uma atitude política nada salutar à democracia. Custou aos cofres públicos dinheiro das privatizações que exauriu na compra de deputados para aprovarem a reeleição de FHC. O governo de FHC teve seus pontos positivos no quesito programas sociais.
O governo do PT, que se arvorou vir para moralizar a 'res publica' acabou seguindo os velhos caminhos da corrupção; preferiu compactuar o poder com as 'velhas raposas' da política brasileira. Os movimentos sociais que levaram o PT ao poder foram abandonados ou cooptados pela máquina federal. O governo Lula foi marcado pelo Mensalão, antiga prática da 'Casa do Povo'; ou seja, "não se governa de mão fechada". Os programas sociais foram criados e outros ampliados pelos petistas e aliados.
A presidente Dilma, no seu primeiro mandato [2011/15] manteve os programas sociais de seu companheiro antecessor. Posicionou-se, contudo, longe dos movimentos sociais e se entregou ao PMDB e outros partidos fisiologistas. Neste atual mandato (2015/19], até o momento o que se observa é um governo atolado na corrupção da Petrobras (Petrolão)e seus quadros políticos envolvidos no esquema da “Lava Jato”. Sem falar na futura CPI do BNDES e dos Fundos de Pensão.
Verifica-se, então, que na política brasileira não existem 'santos': quem chega ao Poder honestamente acaba se corrompendo; isto é, sujando o nome; e assim poucos escapam do ‘canto da sereia’, da sedução do "Dr. Real". Os políticos éticos são raros no Congresso Nacional - para nosso alívio e vida longa à democracia (ironiza-se). No entanto esses políticos éticos vivem um ostracismo político, fora do foco da mídia e do poder.
O Povo, de certa forma, tem sua parcela de culpa, vez que nenhum político chega ao poder sem uma votação expressiva; e sabemos como funciona o esquema das eleições, de compra desenfreada de votos. O povo prefere vender a sua consciência e seu futuro por ninharia. Desse modo, passará outros quatro anos convivendo com corrupção, vendo a todo momento seus direitos sendo violados pelos deputados, esquecidos daqueles que na campanha prometeram o Paraíso. A solução para esse povo despolitizado, alienado e vendável só pode ser a educação crítico-reflexiva, embasada na filosofia e na sociologia.
Na atual conjuntura política o que se vê na mídia é uma briga entre PSDB e PT, digladiando-se no coliseu Brasil, sempre sem vencedores, só vencidos. Porque o grande perdedor dessa 'briguinha de comadres' é o cidadão brasileiro que paga impostos exorbitantes e não tem um retorno social. É por isso que muito cidadão de bem burla as leis, sonegam; por não se verem resultados concretos e palpáveis.
O cidadão menos informado politicamente nesse fogo cruzado não entende o que se passa e a mídia 'mete o cacete' no PT, como se ele fosse a origem dos males do mundo político. Quem abriu a caixa de pandora não foi somente o PT, mas todos que passaram pelo poder e não tiveram coragem de dizer um não para a corrupção, Preferiram jogar fora seus princípios éticos e morais em nome do poder.
O perdedor Aécio Neves ensaia um impedimento da presidente Dilma, sem fundamentação legal, simplesmente pelo ódio de ter perdido as eleições, não aceitando os resultados das urnas. Aguarda-se as pedaladas fiscais para apurar se aí já teria margem para tal pedido. O senador Aécio Neves deveria cumprir suas obrigações de senador eleito pelo seu Estado (Minas Gerais).
A Dilma necessita desgarrar-se do PMDB, que ultimamente só tem criado problemas; ressurgir das cinzas é preciso. Mas para que isso aconteça exigem-se sacrifícios. Enfim, pelo que se observa no cenário político, o PT se entrega cada vez ao PMDB, afundando juntamente com o povo, pois os salva-vidas já foram reservados ao PMDB. Eis a presente conjuntura sócio-política nacional neste início de milênio.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Programa Mais Médicos no Brasil
Historicamente a profissão de médico tem sido muito elitizada. Ingressavam nas faculdades de medicina somente os filhos dos prósperos burgueses do Brasil. No período colonial os filhos dos latifundiários escravocratas eram mandados a estudarem nos grandes centros universitários da Europa. As três profissões de destaque nesse contexto histórico: direito, medicina e vida religiosa. A família que tivesse um filho enquadrado nesses requisitos profissionais era motivo de orgulho e de poder. Aos pobres, o cabo da enxada, pão e roupa de algodão cru. As famílias mais humildes incentivavam seus filhos a ingressarem na vida religiosa, pois era um meio de ascensão social. Na história do Brasil tivemos vários padres revolucionários que se rebelaram contra Portugal e as classes dominantes que asfixiavam o povo através de onerosos impostos. Ao longo do tempo a Educação foi se tornando uma necessidade básica, pelo menos “as primeiras letras”:
Art. 1º “Em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos, haverão as escolas de primeiras letras que forem necessárias”, (Lei de 15 de outubro de 1827).
O desenvolvimento exigiu uma mão de obra cada vez mais especializada, no caso da indústria têxtil, que deslanchava na 2ª metade do século XX.já que a modernidade exigia uma mão-de-obra mais especializada, no caso a indústria fabril, que deslanchava nos meados do século XX. À medida que o mundo evoluía, o Brasil acompanhava tais avanços; desse modo, a educação tornava-se imprescindível para o desenvolvimento do país. Muitos educadores comprometidos com os mais humildes entraram no campo de batalha para garantir uma educação que contemplasse a todos. Até hoje as elites não apostam na educação para a Cidadania, pois preferem um povo inculto e despolitizado. A revolução tecnológica também forçou o país a investir mais na educação. Os programas educacionais do governo federal, nestes tempos de globalização, têm proporcionado cada vez mais que os filhos dos trabalhadores ingressem na universidade. Hoje as oportunidades para estudar são inúmeras: só não estuda quem não quer. Além dos cursos de nível superior o governo oferece os cursos profissionalizantes. Muitos cursos superiores continuam elitizados, como medicina, odontologia, psicologia e engenharia. Os cursos das áreas de saúde e exatas carecem, entretanto, de aprofundamento filosófico, sociológico e antropológico; os conhecimentos nessas áreas são superficiais, diferente de outros países. Cuba, por exemplo, proporciona conhecimentos sólidos da profissão, mas também preparando os médicos para a vida. Os médicos brasileiros são muito capitalistas: se o paciente não pode pagar uma consulta ou tratamento morre à míngua; e na rede públicas fazem corpo mole, enquanto na particular dão tudo de si. É de se perguntar: onde anda o juramento de Hipócrates? O Programa Mais Médicos “caiu do céu”, tornando possível ao pobre ser atendido nos recantos mais longínquos, onde jamais um médico pôs os pés. Os médicos sentem-se incomodados por este programa e questionam a presença dos cubanos no Brasil. Assim, a elitização da medicina brasileira aos poucos vai sendo quebrada, os cubanos possuem uma postura profissional e compromisso com a Comunidade. Cada vez mais a saúde tem chegado aos mais necessitados e isso incomoda a muitos médicos que se sentem donos do pedaço. O Programa precisa ser ampliado cada vez mais com médicos que queiram trabalhar em qualquer parte do território nacional, de preferência brasileiros, na recusa em contratar médicos estrangeiros. O que não pode é o povo ficar a mercê dos médicos brasileiros corporativistas. A longo prazo esse programa vai popularizar a saúde, vez que torna-se-à universal, como aconteceu com a educação; a saber: o acesso à escola é um direito de todos.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
PT refém do PMDB, até quando?
Deliberadamente o PT se entregou ao PMDB de corpo e alma. Não consegue agora, literalmente, se soltar das amarras asfixiantes do Congresso Nacional, muito mal representado por Eduardo Cunha (Câmara dos Deputados) e Renan Calheiros (Senado). O PT abandonou suas bases políticas sólidas, ou seja, os movimentos sociais, oPTou por trilhar por caminhos curtos e tortuosos, no caso partidos fisiologistas e pragmáticos, partidos sem sustentação ideológica e sem histórico, que se movem pelo tilintar de metais preciosos. No Brasil não se governa sem apoio dos partidos pragmáticos; agora, conchavar de joelhos e ser subserviente às forças do atraso não é compatível com o DNA do PT, que foi forjado na fornalha dos movimentos sociais. O PT demonstrou pouca-vergonha e imaturidade para governar, se rendeu ao poder. A grande esperança do cidadão era o PT chegar ao poder e fazer as reformas tão sonhadas pelo povo brasileiro; no entanto o que se vê são conquistas históricas derrubadas, aumento de impostos, cortes em áreas essenciais como a educação. É preciso que fique bem claro que essas vacâncias financeiras não foi o povão que subtraiu. A corrupção é outra página negativa da gestão do PT, cujos quadros, por fraqueza de caráter, pisaram na bola dando munição à oposição para atacá-lo com toda munição disponível, ao ponto de pedir o impedimento da presidente eleita democraticamente. Diante de tantas denúncias de corrupção, o PT encontra-se fragilizado e suscetível ante a atual conjuntura política. Diante desse cenário caótico o PT ainda é o partido que chegou ao poder e deu voz e vez aos mais pobres. São inegáveis as conquistas do PT em prol dos mais necessitados e esquecidos até então pelas classes abastadas do Brasil. O que não se se esperava, contudo, era que o PT governista passasse a cometer tantos disparates políticos ao ponto de rasgar seu estatuto diante do poder. A sorte foi lançada, ora cabe ao PT escolher se quer os movimentos sociais ao seu lado ou o PMDB. Sempre existe esperança para quem quer sair do atoleiro, porém exigem sacrifícios, cortar na carne as partes necrosadas. Cabe ao PT decidir: ser ou não ser um partido de massa. O estrago da mídia ao PT foi fundo, não se sabe até que ponto os militantes estão prontos para ir às ruas defender o partido em caso de impedimento. Ninguém tem como saber até onde vão desembocar essas CPIs em andamento no Congresso Nacional. Uma coisa é certa: se o PMDB sentir que o barco afunda é os primeiros a abandonar em grande estilo. Nas redes sociais o nome da Presidente é queimado como nos velhos tempos inquisitoriais. Alguns intelectuais tentam defender Dilma, no caso o teólogo Leonardo Boff; mas diante da grande mídia - Estadão, Folha de São Paulo, O Globo, Veja... Que metem o sarrafo no governo, as vozes dos defensores se tornam tímidas. O governo não passa para o cidadão confiança: parece perdido no fogo cruzado, sem ação, não conseguindo avançar nem mesmo em pontos cruciais de combate à oposição que passaram pelo poder e deixaram rastros na calada da noite; o sucesso desse ataque daria fôlego ao governo para aprovar projetos de interesse popular. As medidas impopulares vieram agravar mais ainda o descontentamento da classe média, que se acostumou a viver sem sacrifícios e agora não aceita arrochos que comprometam seu bem-estar. A direita golpista segue à risca o ditado maquiavélico do 'quanto pior melhor', isto é, aproveita o contexto político para atacar. Os cidadãos que não se deixam levar aos apelos midiáticos da imprensa burguesa resistem, à espera de que o PT tome posições firmes dentro do partido e no governo. Que ele renasça qual fênix das cinzas e reinvente aquele partido que representou histórica e legitimamente os trabalhadores.
segunda-feira, 23 de março de 2015
Vaga-lume solitário
A corrupção no Brasil se enraizou de tal forma que, para tentar cortar o mal pela raiz o cidadão de bem corre o risco de cair no ostracismo político e, na pior das hipóteses, perder a vida. É um câncer que se alastra pelo corpo societário, corrompendo pessoas, instituições seculares, partidos políticos e até o próprio eleitor que vende ‘naturalmente’ seu voto. Os anticorpos sociais tentam reagir, mas em vão; uma minoria absorvida pela maioria corrompida. O cidadão olha de todos os lados e não vê salvação, é muito angustiante essa luta desigual onde não se vislumbra nenhuma luz, nem de um solitário vagalume. O governo, à mercê de corruptores, de joelhos se rende. O povo convive com a corrupção como algo normal, não se indigna mais; esporadicamente rebela-se ao toque das trombetas da mídia. Os revolucionários de ontem se renderam ao sistema capitalista, chegaram ao poder e foram ofuscados pelo seu deslumbre. Os militantes partidários caminham hoje sem rumo, pois perderam o referencial - o líder que conduzia multidões para a luta. O cidadão sem esperança se entrega de corpo e alma aos corruptores. Lutar para quê? Os corruptos aboletados no poder riem do ‘estouro da boiada’ que, sem rumo e sem objetivos, são presas fáceis para o abate eleitoral. Os que ousam frear são pisoteados pelos cascos da ignorância. Alguns se acomodaram, vivem suas vidinhas contemplando o sol nascer e se pôr, cansaram de remar contra a maré. Os ‘bestas’ (como são chamados pelos corruptores), tentam sacudir os que dormem no berço da pátria-mãe; vivem sonhando com uma pátria ética, porém não fazem nada para os fatos se concretizarem. Assim, os seus gritos acabam sendo silenciados pelo cansaço. Um único vaga-lume poderia acender a chama da esperança, ser um farol que conduziria esse povo a um porto seguro. O Lula tornou-se por 3 décadas este ícone, mas encontra-se ora em cheque devido aos diversos escândalos de corrupção, envolvendo diversos ‘companheiros’ de Partido. Tempos sombrios para a nação brasileira, o Estado e suas instituições subjugados por um Congresso corrupto. Raras exceções há, óbvio. Os achacadores do governo, para cumprirem suas obrigações de parlamentares eleitos pelo povo, são movidos por grana para aprovarem projetos do interesse popular. Poucos tiveram a coragem do Cid Gomes; não é nenhum santo, mas teve a coragem de peitar o presidente da Câmara dos Deputados e dizer aquilo que muitos gostariam de dizer e não falam por covardia e interesses pessoais. Foi cabra macho! Nessa terra árida da política brasileira de vez em quando encontramos um oásis que não sacia a sede dos que clamam por justiça no solo brasileiro; serve, contudo, de inspiração e esperança à pátria educadora.
sábado, 7 de março de 2015
O mito da caverna na atualidade brasileira
Hoje acordei com uma dor de cotovelo medonha: não por mulheres, mas por umas aulas de Filosofia que tive no Seminário Marista. Uma aula muito interessante foi a reflexão do Mito da Caverna [Platão]. Na época minha visão era metafísica e cristã. Infelizmente minha visão política não era tão aguçada como agora. Aproveito, porém, agora para analisar a política brasileira e as redes sociais a partir dessa alegoria, para vermos como essa análise continua tão atual.
Eis uma breve síntese do Mito para o leitor se situar na discussão: “Imagine uma caverna e dentro dela pessoas que nasceram e cresceram nesse espaço, todos acorrentados e presos, longe do mundo exterior. Na caverna apenas uma fresta por onde passa um feixe de luz. Os seres só veem a parede da caverna e nela espectros e vozes; pensam, pois, que essas sombras advindas do mundo exterior são reais. Um dos homens consegue fugir e ir de encontro com o mundo exterior. Nesse contato percebe que tudo que via na parede eram apenas sombras e fantasias. Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrão sérios riscos - desde o simples fato de ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomarão por louco e inventor de mentiras”. Eis o grande dilema de quem tenta conscientizar o povo.
Meus escritos nem sempre são compreendidos e muitas vezes ameaçado por represálias, e até perseguido por pessoas que estão no poder e não aceitam críticas. Numa democracia os governantes precisam aceitar as críticas que advêm de quem pensa de modo diferente. Já imaginou se todos os seres humanos pensassem de um modo padronizado, o que seria dos mortais? O belo da democracia é permitir pensamentos múltiplos, alternância de poder e oportunidades iguais para todos, sem nenhum tipo de preconceito. Nem tudo que escrevemos é verdadeiro, mas no meio de tantas orações existe uma vontade de acertar e conscientizar a massa para perceberem que existe um mundo exterior sem alienação, palpável aos sentidos.
Quando me deparo com a mídia audiovisual recordo da Alegoria de Platão; vejo tantas pessoas acreditarem que o que veem na TV é verdadeiro: nos telejornais, novelas, documentários, demagogias dos políticos, programas partidários, políticos com suas promessas de campanha, anúncios dos governantes tentando enganar o povo. É uma pena que nem todo mundo teve a oportunidade de ter uma formação filosófica; se bem que a própria escola não prioriza essa disciplina. Por isso, há tantos 'cegos' em nossa sociedade,pensando que o mundo é feito somente de sombras.
Os políticos são os mais mentirosos: apresentam para o povo apenas sombras e muitos acreditam que o mundo real é esse, propagado por eles, que ludibriam o povo em benefício próprio. Sobem no palanque, discursam com uma oratória que se dilui na primeira brisa da manhã. Vejo essa plateia como os prisioneiros da caverna a imaginar que tudo que eles falam é verdade. .De modo geral a sociedade capitalista é uma grande enganação. A sociedade é um grande telão, ali é apresentado ao público o que interessa aos grandes grupos econômicos que não estão nem aí para o Povo. A natureza, a esperança, dias melhores... Nada disso sensibiliza-os: o que vale é o lucro imediatista.
As redes sociais na internet são a grande ilusão do momento. No fundo as pessoas gostam de ilusão, porque o sofrimento é menor; nem todos nasceram para encarar a realidade nua e crua. Como dizem os mais velhos (sábios): "É preciso sangue no olho para encarar a vida". De todos os segmentos da sociedade não existe um tão maléfico como as redes sociais; sem menosprezar o lado bom das redes, mas existe muita mentira por trás dessas redes que fazem de tudo para enrolar o povo.
O Mito da Caverna foi uma alusão ao filósofo Sócrates, que tentou conscientizar a juventude de seu tempo e foi morto, acusado de corromper a Juventude. Hoje tantos mártires tentam lutar por uma sociedade mais justa e acabam mortos pelos que detêm o poder político e econômico, mas a luta continua... Só abandonam, portanto, a luta os covardes e os interesseiros.





