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sábado, 15 de março de 2014

Revolução pela Educação

Quando comecei a militar politicamente e entrei em contato com a literatura marxista, acreditava piamente que as mudanças radicais só poderiam acontecer via revolução armada, escrevi até um livro de poesias, “Sementes Revolucionárias”. Um determinismo político que cegava e alienava; postura que ia de desencontro aos preceitos de Karl Marx. Os intelectuais marxistas eram proibidos de pensarem diferente, eram banidos dos partidos políticos por serem revisionistas. Depois da guerra fria os fatos vieram à tona, e foi descoberto que os comunistas agiam tal e qual os capitalistas, ou pior, pelo menos no período do stalinismo. Até hoje a Rússia controla os países que estão sobre seu controle com mão de ferro. Pouca democracia nas Ex-repúblicas soviéticas, a Ucrânia que o diga na atual conjuntura politica que se encontra. Os marxistas ortodoxos ficaram perdidos com os fatos trazidos pela imprensa dos desmantelos praticados por Stálin e seus seguidores, até hoje os partidos comunistas caminham sem rumo, pois a ideologia que os alimentava deixou de ser uma alternativa de poder. No outro lado da moeda os países capitalistas prosperaram em termos econômicos, dando um padrão de vida de excelência para seu povo. Basta conferir o IDH dos países capitalistas que prosperaram. Os países que estiveram na esfera comunista definharam, são países em desenvolvimento com sérias dificuldades econômicas e sociais. Diante dos fatos ocorridos descobri que a melhor revolução é investir maciçamente na educação. É o caminho mais seguro, basta ver os países que apostaram na educação, hoje é países ricos e seu povo usufruindo desses frutos oriundos dessa revolução subjetiva. Por isso os que detêm o poder não querem investir na educação. A atual estrutura política beneficia os políticos corruptos, não querem garantir um Direito Constitucional, educação padrão FIFA para os brasileiros. Um país tão rico economicamente e tão pobre socialmente, um povo instruído jamais permitiria passar por situações sociais degradantes e aceitar passivamente a corrupção. Daria valor a seu voto, e escolheria os melhores para representa-los. A sociedade não prima por seus mestres; existe toda uma ideologia dominante para não se valorizar a educação e principalmente seus professores e educadores. Numa reunião da escola Gabriel Epifânio dos Reis, Icapuí-Ce, um professor fez uma indagação aos presentes, quem gostaria de ser professor levante a mão, ninguém levantou... Completei, por quê¿ A resposta foi rápida, professor ganha mal e não é valorizado... Isso mostra a nossa situação educacional. Defendo que filhos de políticos estudem na escola pública, querem mamar nas tetas do Estado, mas não querem usufruir dos serviços públicos. Só assim teríamos uma educação de qualidade, ou melhor, padrão FIFA. Nesse ano teremos a Copa do mundo 2014 e eleições políticas, se a seleção brasileira for campeã, todas as mazelas sociais serão esquecidas, a alegria tomará conta das ruas e os políticos entrarão em ação mais uma vez para se elegerem, principalmente os políticos corruptos que aguardam essa ocasião de voltarem ao poder novamente. Na década de 70 durante o regime militar muitos estudantes, jornalistas, sindicalistas, políticos sérios, líderes rurais, enfim cidadãos eram torturados nas dependências do DOI-CODI e o povo bestificado diante dos fatos. Hoje minha bandeira de luta é a educação, alguns me questionam o porquê de falar tanto de educação, é porque acredito que o Brasil só vai ser um país sério quando tivermos uma educação de qualidade, que as escolas sejam esses espaços de transformação, de crianças em cidadãos comprometidos com seus semelhantes, com o planeta terra, que valorizem a vida humana e que chorem quando verem alguma situação de injustiça, aí teremos orgulho de sermos chamados de brasileiros.

terça-feira, 11 de março de 2014

Professor, cidadão ou palhaço?

A resposta depende do posicionamento de cada político que aparentemente estão com mandatos para nos representar na Câmara dos deputados, teoricamente, e fazem do professor palhaço,quando não defende os interesses da categoria tão sofrida. A maioria dos nossos representantes no Congresso não dão o devido valor a educação.Enxergam a educação só no período eleitoral e usam a educação como politicagem eleitoral. Uma minoria ínfima que reconhece o trabalho do professor e nos defende nos momentos de embates. Quando se fala de educação o nome vem logo a boca, Cristovam Buarque, e se diga que muitos se elegem com a bandeira educação.O cidadão consciente acredita que a educação é imprescindível para alavancar o desenvolvimento econômico, político, cultural, e o mais importante, o social. Em todas as esferas de poder a educação não é vista como prioridade nacional, vejamos como os fatos se sucedem. Ultimamente estou afastado da sala de aula (readaptado), agora tenho a oportunidade de olhar com um olhar mais cuidadoso de como os professores nesse país são uns verdadeiros heróis. Refiro-me aos professores do fundamental, principalmente da educação infantil, etapa tão importante na vida de uma criança. Em alguns momentos tenho ido à escola Mizinha para ver meu filho, Benjamim Silva Pinto, e aproveito para observar como os professores são zelosos com as crianças, cuidado e muito carinho. Controlar várias crianças não é fácil, muitos pais tem um filho em casa e se estressa, perde a paciência e bate. Imagine um professor com várias crianças em sala? Não é fácil ser-professor, no entanto muitos não valorizam essa profissão, a educação é a mãe de todas as profissões existentes. Crianças que foram criadas sem limites, na escola querem se comportar como tal, pacientemente as professoras conversam, muitas vezes até parece que aquela conversa não adianta de nada, mas de tanto bater na mesma tecla, as crianças acabam assimilando os conselhos dos mestres. Vale ressaltar que em todas as profissões temos bons e maus profissionais, me refiro aos bons. A atual estrutura da educação infantil na escola Mizinha(o velho) não ajuda os professores em termos de recreação, um prédio antigo, sem espaço físico para as crianças brincarem com liberdade e segurança. Fica em frente a uma CE, sem estacionamento para os pais e numa curva perigosa. É vergonhoso termos uma escola de educação infantil nova, bonita e bem localizada e, no entanto sem serventia, em alguns momentos serve de curral de animais. Falta tão pouco para terminar, a finalização se arrasta há anos. Cada responsável pela obra conta uma versão da paralização, quem perde é a sociedade de Icapuí que não se mobiliza para que o término da obra seja breve. Só lembrando, temos um deputado estadual e federal e vários apoios tanto a nível estadual como federal. É de se perguntar, o que falta para terminar? O que me deixa chateado é quando uma mãe sai da sua casa para brigar com o professor por uma questão banal, conhece as traquinagens do filho e, no entanto dar razão ao filho, esconde a sujeira debaixo do tapete. Como dizia meus pais, quem não quer aprender na escola aprende no mundo... Esses pais que gostam de “esculhambar”professores deveriam correr atrás da escola nova que do jeito que vai virá ao chão sem nunca ter entrado uma só criança nas suas dependências. É paciência das professoras com essas crianças, crianças chorando, correndo, brigando, gritando, cagando... .Crianças sujas, a professora leva para o chuveiro, limpa o bumbum, troca de fralda, acalenta e ainda por cima não pode descuidar do resto da turma. O que mais dói é no final do mês as professoras não receberem seus salários, passar vários meses sem receber. Serem chamadas de preguiçosas por reivindicarem seus proventos. Desconheço políticos com mandatos de fazerem greve por não receberem seus salários. O Congresso Nacional já fez greve por ganharem pouco e não receberem em dia? E trabalham tão pouco, quando trabalham, em causa própria,a maioria só faz mamar nas tetas do Estado. Dizem que a esperança é a última que morre, então ficamos torcendo que um dia a educação seja tratada com respeito nesse país. "Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos".

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O que é esclarecimento?

"Ora homem é, acima de tudo, um ser livre e isto se manifesta e se realiza, na dimensão da práxis. Realiza-se na práxis a passagem das inclinações da natureza sensível para a razão pura. É a partir da pura razão que se deve estabelecer a norma do agir do homem”.
O filósofo Immanuel Kant (1724 - 1808) escreveu um artigo, respondendo à pergunta, o que é esclarecimento? (Aufklärung). O artigo questiona pessoas que são esclarecidas e, no entanto fogem das discussões diante do poder. Muitas vezes o cidadão possui conhecimentos sólidos, contudo não interage diante dos fatos sociais, preferem serem conduzidos pelos outros. Então, o que é esclarecimento? Esclarecimento [Aufklärung] é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento [Aufklärung]" (KANT, 2005c, p. 63-64). É mais cômodo viver na menoridade, assim passa despercebido e consegue galgar posições profissionais para seu bem-estar, de seus familiares e amigos. Na política os políticos vivem constantemente se escondendo dos embates políticos, legislam em causa própria. Encontrar políticos em manifestações e greves é coisa rara, preferem sombra, água fresca e brisa debaixo da 'árvore do pecado' a defender o povo. Quando é para benefício próprio os preguiçosos e os covardes correm atrás do trem da alegria. A preguiça, a covardia, o medo, o comodismo, oportunismo neutraliza os embates com o poder constituído, é mais cômodo pagar alguém para assumir esse papel de frente e ficar nos bastidores. [...] "Não tenho necessidade de pensar, quando posso simplesmente pagar; outros se encarregarão em meu lugar dos negócios desagradáveis". A liberdade e a autonomia são princípios que me deixa a vontade de criticar as coisas erradas, de não aceitar as ordens que vem de cima para baixo, liberdade é usar a consciência livremente, sem medo de represálias. Poucos na sociedade têm a coragem de dizer: sou livre, minha moral me permite esse estado de leveza do meu ser. As pessoas que se encontram nesse estágio de menoridade estão em todos os setores da administração, seja pública, ou privada; na política, na justiça, na educação, nas igrejas, enfim, em todas as instâncias sociais de uma sociedade excludente. O cidadão não pode por hipótese alguma se ausentar da participação política, é preciso ousar, como diz Kant, "ousa, atreve-te, a saber,". Cabe a educação introduzir nas escolas desse Brasil o esclarecimento para seus alunos, para que os mesmos usufruam da liberdade tão desejada pelos seres humanos, sem liberdade somos escravos do sistema capitalista. Se formos esperar pela maioria dos políticos nunca vamos reverter essa situação de injustiça social. É muito raro hoje instituições de classes se envolverem, o MST e CUT braço direito do PT, calados, porque fazem parte do poder. Apenas uma minoria que esporadicamente tem a coragem de pensar de maneira autônoma e independente, "Se chega alguém querendo consertar Vem logo a ordem de cima Pega esse idiota e enterra". Vivemos numa sociedade que não estimula o cidadão a pensar, tudo surge prontinho, basta consumir ("todinho"). Os meios de comunicação a todo momento invade nossos lares sem permissão, nos alienando, estimulando a consumir de maneira desenfreada e sem necessidade, alimentando ilusões nas mentes fracas, através das telenovelas. É difícil não haver conhecimentos nesses tempos atuais, só que o conhecimento crítico é pouco visto e não chega para quem realmente precisa. Tantas tecnologias que levam informação, e não saímos da mesmíssima; todos os dias nos sentamos nos bancos das praças alimentando os pombos. É triste, mas é a nossa realidade nua e crua. Para reverter esse quadro precisamos esclarecimentos críticos nas escolas, professores livres e esclarecidos. Acredito que ninguém queira o castigo de Prometeu Acorrentado, viver eternamente preso. A liberdade é uma dádiva da natureza que precisamos conquistar todos os dias. Vivemos numa sociedade esclarecida? “Não, vivemos em uma época de esclarecimento. Falta ainda muito para que os homens, nas condições atuais, tomados em conjunto, estejam já numa situação, ou possam ser colocados nela, na qual em matéria religiosa sejam capazes de fazer uso seguro e bom de seu próprio entendimento sem serem dirigidos por outrem. Somente temos claros indícios de que agora lhes foi aberto o campo no qual podem lançar-se livremente a trabalhar e tornarem progressivamente menores os obstáculos ao esclarecimento geral ou à saída deles, homens, de sua menoridade, da qual são culpados. Considerada sob este aspecto, esta época é a época do esclarecimento". A resposta de Kant no século XIX é não. E hoje? Também não, apesar de tantas facilidades, estamos numa época de esclarecimento, preferimos ser acorrentados pelo pescoço e sermos jogados no mar, pelo menos a maioria pensa assim...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Os grupossauros das Escolas Municipais de Icapuí





“A função da escola é ensinar as crianças como o mundo é,
 e não instruí-las na arte de viver” – Hannah Arendt



O termo linguístico “grupossauros” é um neologismo criado por mim, como gosto de inovar e criticar as coisas erradas. Nem sempre compreendido pelos ditos democráticos, quando se pisa no pé grita e feio. Nesse texto reservei umas críticas à educação das escolas públicas de Icapuí, pode se passar uma eternidade fora  das escolas, quando se pisa, ‘o mesmo lenga-lenga todo dia’( faz me lembrar Lenga  lenga com seu triângulo, vendendo seus picolés em Canoa Quebrada), pessimismo, pessoas que ocupam o mesmo cargo a anos, sem criatividade, sem tesão pela educação.
Em qualquer escola do município são os “grupossauros” de sempre, fechados, mal-amados e donos do pedaço no qual dirigem. Entra ano e sai ano e esses grupos se mantêm no poder. São totalmente avessos ao novo e tramam contra aqueles que acreditam na educação e tentam mudar a realidade da escola. Essas panelinhas e panelões se encontram em todos os setores da administração pública. Por isso que a máquina pública não funciona, enferrujou, parou no tempo... E agora José¿
Não consigo ficar dentro da escola sem elaborar um projeto, me dói fazer a mesmíssima coisa todos os dias, ver os resultados negativos e se calar, a falta de autoridade dos professores de verem o circo pegar fogo e não reagirem.  A indisciplina campeia a sala de aula e o professor não tomar nenhuma atitude, deixa a coisa rolar, “o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende”.
Vivenciamos uma crise de autoridade, a priori na família, depois na escola e na sociedade, as leis são muitas e bem elaboradas, falta o cumprimento delas por parte da justiça que há muito tempo tirou as venda dos olhos, finge de cego para os pobres e arregala os olhos para os detentores do poder.
Retomando o assunto para não fugir dos fatos. Depois de um tempo retornei a escola Mizinha, não mais como diretor, nem professor, fui readaptado. Estou na sala de informática, meu diagnóstico da sala: internet a passos de tartaruga, poucos computadores e falta de ESPERANÇA..., não tem sentido uma sala de informática sem internet, dois funcionários com 300h., amarrados  pelas mãos.
Elaborei um projeto e vou apresentar aos gestores da escola para melhorar a aprendizagem dos alunos a partir do uso da tecnologia. A primeira etapa é colocar uma internet de vergonha dentro do ambiente escolar para os alunos acessarem a internet com seus celulares ( professores vão chiar e digo, autoridade na sua sala professor!), notebooks, tabletes e  smartphones pela via  WI-FI no ambiente escolar, livre para os alunos e professores acessarem seus aparelhos tecnológicos pela internet.
A segunda parte do projeto é adquirir 50 tabletes para serem trabalhados nas salas de aulas pelos professores em pesquisas escolares. Os tabletes ficarão na escola e sairão da sala de informática previamente agendados pelo professor, todo cuidado é pouco.
Os professores precisam se capacitar em termos tecnológicos, inserir nas redes sociais e dentro desse contexto, usarem esses meios para melhorar a aprendizagem e tornarem as aulas mais atrativas. Nos dias atuais a maioria dos alunos possuem celulares com Internet, o que falta é explorar esse meio tão popular chamado celular com suas redes sociais.
Muitos profissionais da educação estão perdidos com as inovações tecnológicas, muitos não sabem nem desligar um computador. Cabem as Secretarias de Educação capacitar essas pessoas que estão à margem da tecnologia.  Não é legal excluir ninguém do processo educacional, a não ser que o profissional não queira, aí não pode se sacrificar uma “revolução” por conta de uma minoria que teima em fazer educação como nos tempos dos nossos avós, onde a palmatória comia de esmola e tínhamos uma educação excludente, só para os ricos.
Faz-se urgente uma revolução na educação, acabar com esses “grupossauros” das escolas, injetar sangue novo(jovens esperançosos) nas veias da Educação Municipal de Icapuí, acredito nas crianças que estão por vir, que já viram a luz do dia, essa minha geração, com exceções, já foram infectados pelo sistema, tem pouco a oferecer à educação. Nesse desfecho desse artigo recorro à teórica política Hannah Arendt: “A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele”.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Castorina Pinto do Aracati


A "rainha dos apelidos" nasceu no Aracati no dia 24 de janeiro de 1883, filha de Francisco do Carmo Pinto Pereira e Cândida Chaves Pinto. Uma família de dezesseis irmãos.  A única mulher da prole, Castorina Chaves Pinto.
Apesar da idade sempre foi uma pessoa alegre, de bem com a vida. Quem teve o prazer de conhecer Castorina Pinto, saiu da cidade de Aracati com boas referências do lugar, ou com um apelido bem dado.
Ficou famosa no Brasil por seus apelidos inteligentes, vale ressaltar que os apelidos de Castorina Pinto não tinham como objetivo denegrir a imagem de ninguém; era uma maneira de fazer humor para agradar os visitantes que vinham para o Aracati. Muitos viajantes vinham conhecer Castorina Pinto para serem batizados por ela, através de um apelido.
Há muitas controvérsias em relação aos apelidos, alguns afirmam que quem botava os apelidos era seu irmão Teófilo Pinto, proprietário do restaurante na Rua Grande, onde hoje funciona o museu jaguaribano, uma coisa é certa, os dois gostavam de colocar apelidos.  Castorina era mais reservada, respeitava mais as autoridades, já Teófilo, não perdoava ninguém. Afinal, quem ganhou fama foi Castorina Pinto.
Alguns apelidos merecem ser lembrados:
- Dom Manuel de Silas Gomes, "bolo enfeitado",
- Dom Antônio de Almeida Lustosa, "envelope aéreo",
- Dom Hélder Câmara, "pombinha do céu",
- louro baixote, “prego dourado",
- cel. Dr. Querubim Chagas - "noite ilustrada",
- filho de Querubim Chagas - "suplemento da noite ilustrada"
- juiz de cabeça grande - “cabeça de comarca",
- rapaz difícil de casar - “cédula falsa",
- coxo - "pé de vírgula",
- David Bastos, “cabeça de queijo do reino".
Um viajante que desafiou Castorina Pinto..., sairia do Aracati sem apelido, se 'escondia' no hotel do seu irmão Teófilo Pinto, olhava nas frestas das janelas, não teve jeito, saiu com o apelido "rato de gaveta".
Cada apelido se encaixava com mestria, dentro dos aspectos materiais e físicos. Dom Manuel, eclesiástico, por desfilar pelas ruas do Aracati muito pomposo levou o apelido de "bolo enfeitado", Dom Antônio muito magro levou o apelido de "envelope aéreo" e assim sucessivamente, todos os apelidos pegavam de imediato e eram certeiros.
Castorina Pinto durante muitos anos trabalhou na Prefeitura de Aracati, se aposentou na gestão de Ruperto Porto. Aos domingos e festividades religiosas fazia a coleta das ofertas, todos que frequentavam a igreja sempre levavam uns trocados para não verem o olhar de censura e a língua afiada de Castorina Pinto.
Castorina Pinto nunca casou e não teve filhos, adotou uma menina, Maria Pinto, chamada por “Bébé”. Passou o resto da sua vida em Fortaleza na Rua Franklin Távora, não morreu na míngua, como alguns pensam, mas numa casa modesta e vivendo de pensão. A fama não lhe rendeu recursos financeiros, mas nunca perdeu a alegria de viver, sempre recebia visitas com muito bom humor e um cafezinho bem servido para relembrar os velhos tempos que trabalhou na prefeitura do Aracati. 
Muito falante e desenrolada, falava pelos cotovelos, é tanto que Chico de Jane, dono do bar "amansa sogra" dizia, Castorina bebeu água de chocalho, Castorina replicava, nasci numa 'noite de trovoada'.

A rainha dos apelidos se calou no dia 26 de setembro de 1966, aos 83 anos, na cidade de Fortaleza. A revista “O Cruzeiro" fez uma cobertura jornalística da sua morte. Restam à nova geração resgatar do esquecimento essas pessoas ilustres do Aracati que hoje fazem parte do folclore aracatiense. "Um povo sem história, é um povo sem memória".
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